Publicado por: J. | Outubro 4, 2007@19:36

Ai ai…

Começou a nova campanha publicitária da Chanel para o perfume “Coco Mademoiselle“. E desta vez a modelo escolhida é a Keira Knightley (“O amor acontece” e “Piratas das Caraíbas“). Existem cartazes em quase todas as paragens de autocarros e passam anúncios na televisão. Ai ai…

Keira Knightley 2

Keira Knightley 1

Publicado por: J. | Outubro 4, 2007@8:40

Saias

Dizem que as mulheres, a partir dos 40 anos, não devem usar as saias acima do joelho. É uma medida de bom senso, que faz com que a partir dessa idade, muitas mulheres optem por esconder a dura realidade dando lugar à suave imaginação, muito mais lisonjeadora. E para quem as conheceu antes, em muitos casos, é melhor relembrar um sonho do que acordar para a triste consciência de que o tempo passa e muitas vezes não perdoa.

No entanto, muitas francesas não seguem este conselho. De entre elas a mais conhecida será talvez a Évelyne Dhéliat: eterna apresentadora da metereologia na TF1 e que, para os seus 59 anos, ainda consegue estar “muito dentro do prazo” (ou então sou eu que estou a ficar velho). Mas parece que não estou sozinho nesta opinião. Existe até um fórum onde se discutem as pernas da Évelyne com fotos e tudo…

Meteo TF1

De qualquer forma, o facto de as francesas conseguirem chegar até à meia idade em paz com a dimensão do seu derriére, faz com que, na maior parte dos casos, o resultado não seja mau. Os poucos casos tristes a que assisti, penso que seriam resolvidos com uma ida ao ofalmologista ou à compra de um espelho grande lá para casa…

Publicado por: J. | Outubro 3, 2007@19:43

Pensamento do dia

As máquinas de lavar roupa, com centrifugação a 1000 rpm são um dos melhores amigos de um homem solteiro.

Publicado por: J. | Outubro 3, 2007@18:44

Estou a morrer…

… bem, mais ou menos. Isto é: estou engripado. Na boa tradição de pieguice masculina, sinto-me como se estivesse a morrer. Doi-me a garganta e tenho frio. Sim, frio. Leu bem: Frio. Eu sei que é difícil de acreditar mas, às vezes – e normalmente quando tenho uma gripe – sinto frio. Mas o grande problema não é a gripe: é estar sozinho. Uma gripe cura-se com descanso e miminhos… mas quando se está sozinho temos de fazer tudo. Não podemos ir para a cama e esperar que nos levem um chá ou uma sopa quente. Temos de ser nós a fazer o chá ou a sopa. :-(

A minha sorte é que tenho uma costela de hipocondríaco e trago sempre uma caixa de medicamentos comigo. De qualquer forma são dias chatos: febre, dores de garganta, dores musculares, enfim uma chatice. Nem sequer dá vontade de faltar ao serviço: o resultado seria ficar um dia sozinho fechado em casa…

Ficar doente no estrangeiro dá-nos uma sensação de insegurança e humildade. A sensação de isolamento aumenta e o tempo custa a passar. O que me vale é a Internet e o Sporting que me fez sofrer do coração mas acabou por me dar uma alegria.

Publicado por: J. | Setembro 25, 2007@20:08

Gula

… é um pecado mortal mas dentro dos pecados é o sabe melhor… Se não se assusta com o julgamento divino nem está preocupado com a vida eterna, então entretenha-se alegremente a pecar na Maison du Chocolat.

A Maison du Chocolat é uma as inúmeras lojas de chocolate existentes em Paris. Não será tão fina nem tão elitista como o Pierre Hermé, mas é mais do que suficiente para pecarmos por nós e pelos outros. Para além do mais é das poucas lojas que vende tabletes com 100% de cacau, que os vendedores têm o cuidado de perguntar se é mesmo isso que queremos, avisando que é muito forte…

100% Pecado

Enfim. Se é para pecar, então quero 100% de pecado.

Publicado por: J. | Setembro 25, 2007@19:23

Pater noster

Pater noster
qui es in caelis
sanctificetur nomen tuum
adveniat regnum tuum
fiat voluntas tua
sicut in caelo et in terra.
Panen nostrum quotidianum da hobis hodie
et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris
et ne nos inducas in tentationem
sed librera nos a malo.

Ontem fui à Notre Dame assistir à missa das 10 horas. É uma missa especial, com cantos gregorianos e partes em Latim. Mesmo para não crentes, é uma experiência que recomendo vivamente. É um espectáculo visual impressionante. Desde o incenso no início da missa até ao final, quando abrem as portas da igreja e entra a luz do dia pela nave dentro.

Abertura das portas na Notre Dame

Notre Dame

Em seguida fui visitar a Conciergerie.

Conciergerie

A Conciergerie é um antigo palácio medieval que foi com o decorrer dos tempos transformado em prisão. Muitos dos condenados à morte durante a revolução francesa passaram os seus últimos dias aí. De entre eles, o mais famoso será certamente a Maria Antonieta.

Em termos estéticos a parte mais interessante é a sala medieval que servia de refeitório às cerca de 2000 pessoas que serviam o rei nesse palácio.

Conciergerie - La salle des Gens d’armes

No entanto, a parte mais interessante da Conciergerie é a Sainte Chapelle, a capela erguida no seu interior.

Sainte Chapelle III

Sainte Chapelle I

Sainte Chapelle II

O dia já ia longo e depois de uma sandocha nas Tulherias, acabei a tarde no Musée D’Orangerie, onde estão guardadas as Nymphéas de Claude Monet.

Las Nymphéas

As Nymphéas são oito quadros que Monet pintou no final da sua vida, destinados a proporcionar uma sensação de imersão dentro dos quadros. Trata-se de obras gigantescas que ocupam 2 salas ovais no museu, expressamente contruído para as albergar.

Las Nymphéas

Palavras para quê? Estou em Paris; e Paris é a Disneylandia das artes…

Publicado por: J. | Setembro 19, 2007@20:28

Bonjour

Já tinha lido no “Talk to the Snail” que os empregados de estabelecimentos em França são pequenos reis, senhores do seu domínio que é o estabelecimento onde trabalham. Como lordes senhoriais reservam-se o direito de estabelecer as regras, esquecendo-se que o objectivo fundamental de um estabelecimento é servir o público e que “o cliente tem sempre razão”. Nesse livro está descrita uma cena semelhante à que presenciei e que pensava ser um exagero. (O diálogo pode estar mal escrito, pois não escrevia em Francês à quase 25 anos):

A cena passa-se num pequeno restaurante na Place du Tertre, no bairro de Montmartre, a umas escassas dezenas de metros do Sacre Coeur:

Entra uma senhora francesa, dos seus trintas e muitos (é difícil fazer uma estimativa correcta porque elas são magras e têm cuidado com a pele) com ar aflito e pergunta onde é a casa de banho:

- Où sont les toilettes?

- Bonjour – responde o empregado com ar enjoado. Do estilo “Entras porta dentro, nem sequer és cliente, não cumprimentas as pessoas e queres que te deixe ir à casa de banho?”

- Où sont les toilettes – repete a francesa com ar ainda mais aflito, sem ligar ao que o empregado lhe disse.

- Bonjour – repete o empregado com mais ênfase, querendo este bonjour dizer “Estás armada em parva. Eu não sou um simples empregado: sou um fornecedor de gourmandises. Quem manda aqui sou eu e não vais à casa de banho enquanto não fores educada”.

Nesta altura a francesa percebe que está em falta nas regras da boa educação francesa:

- Ah! Pardon! Bonjour. – Diz ela com ar submisso, reconhecendo a gaffe e colocando o seu destino nas mãos do empregado.

O empregado, triunfante proclama a sua vitória e dá-lhe finalmente as “chaves do paraíso”:

- Ah! C’est bom ça! Les toilettes sont au fond du couloir à gauche.

E eis que a francesa, agora devidamente autorizada, corre finalmente para a casa de banho.

Moral da história: se não “bonjourras” não…

Publicado por: J. | Setembro 19, 2007@20:16

Regresso

Pois é. Acabaram as férias e voltei ao serviço… a meio de Agosto. No entanto, não regressei sozinho e acabei por não ter tempo para actualizar o blogue: Durante quinze dias aproveitei o meu tempo livre para passear e ver a Paris que não tinha tido interesse em ver no mês anterior. É bom não esquecer que estou aqui a trabalhar e que ao fim do dia não tenho grande pachorra para passear sozinho por aqui. No entanto, quando se tem companhia há mais vontade para sair e ver a cidade. Mesmo à noite… nunca andei tanto à noite como nesses quinze dias. E embora tenha chovido na primeira semana, acabámos por aproveitar bem o tempo.

Depois… bem; junta-se o facto de voltar a estar sozinho com a rotina do dia-a-dia, com o tempo ocupado à noite a falar para casa, a necessidade de converter as fotografias de raw para jpeg e, finalmente, uma grande falta de inspiração e o resultado é uma “balda” de mês e meio sem escrever no blogue. No entanto, e a pedido de muitas famílias, acho que está na altura de voltar à carga.

Publicado por: J. | Julho 26, 2007@21:24

Domingo

Domingo foi dia de ir ao Louvre. Já cá estou à três semanas e ainda não tinha lá ido. Como é que podia voltar para casa e enfrentar os meus amigos? Lá fui juntar-me à manada de turistas que todos os dias entram no Louvre à procura das obras mais célebres. Felizmente o Louvre é suficientemente grande para as filas escoarem com uma eficiência desconcertante.

louvre-2.jpg

Apanhei o metro e saí na estação que dá acesso ao museu.  Para quem não sabe, a entrada do museu é num centro comercial subterrâneo chamado “carrousel du louvre“. O ponto central desse centro comercial corresponde ao vértice inferior de uma das pirâmides mais pequenas. O metro tem uma saída que dá acesso directo ao centro comercial. Quando se entra no centro vira-se à direita e encontramos uma bilheteira muito, mas mesmo muito, mais vazia do que a bilheteira “oficial” que se encontra já dentro das instalações do museu. Confusos? Nem por isso. A primeira “entrada” é apenas para se passar pelo aparelho de raio x. Após isso, entramos num corredor cheio de lojas com todo o merchandising possível e imaginário sobre tudo que que simboliza Paris e, em especial sobre as obras de arte do Louvre. Não acreditam? Os parisienses são mestres na arte de vender “souvenirs“. No aeroporto de Orly podemos comprar um conjunto de cuecas femeninas tipo “fio dental” com a palavra “PARIS” inscrita à frente com letras brilhantes a imitar diamantes. Penso que são para os nostálgicos da segunda guerra mundial que querem imitar a Alemanha nazi e “invadir” Paris com todo o seu “material de guerra”. Mas eu divago…

A verdadeira entrada no museu é por baixo da grande pirâmide do Louvre. Aquela que tem o Graal lá em baixo. Aí temos acesso às três alas do museu que correspondem a três entradas distintas.

louvre.jpg

Fui para a ala Richelieu ver os pintores Holandeses e deixei a Mona Lisa para mais tarde. A ala Richelieu é mais sossegada e, para quem gosta de pintura, tem muito que ver. À hora do almoço vim à entrada almoçar num dos bares que existem dentro do museu eem seguida juntei-me à multidão e dirigi-me para a ala dos pintores italianos onde se encontra a célebre Mona Lisa. É impressionante a quantidade de gente que se amontoa para poder tirar uma fotografia tremida com um telemóvel rasca a um quadro que não terá mais de 80×60 a três metros de distância, pois é essa a distância a que as pessoas se podem aproximar da obra de Leonardo.

louvre-1.jpg

Temos uma sala enorme com uma parede de madeira com um único quadro e centenas de turistas histérico. A propósito: nas paredes do Louvre estão inscrições a dizer que é proíbido tirar fotografias. Mas naquela sala tiravam-se fotografias “à fartazana”, parecendo mais um congresso de paparazzis do que um museu. Eu cá acho que os guardas do museu já desistiram.

A sala da Mona Lisa está no meio de dois corredores: um de artistas italianos e outro de artistas francesas. Ao entrar na ala dos pintores franceses verifiquei que embora os temas fossem semelhantes, havia algo que fazia a diferença. Algo que dava um ar especial às suas pinturas. Acabei por perceber que tinha a ver com a forma como representavam os seios femininos. Enquanto que os artistas Holandeses como o Rubens representavam os divinos hemisférios (nota-se que estou sózinho à quase quinze dias, não nota?) de uma forma… diria eu “cabisbaixa”:

rubens-1.jpg

seios-2.jpg

os artistas franceses davam um ar mais animado ao tema. Je dirais même plus, um ar mais “arrebitado”:

seios-1.jpg

Não surpreende pois que tenham sido os franceses a inventar o soutien e que as mulheres francesas sejam das que envelhecem melhor. C´est la vie!

Publicado por: J. | Julho 26, 2007@20:03

Sábado

Sábado foi dia de passear pela cidade. Fui ver o local do meu apartamento e aproveitei para tirar umas fotos e ver os turistas a fazer figuras tristes. É incrível a imaginação que estes gajos têm quando estão à frente de um monumento. Não querem tirar fotos ao monumento, querem tirar fotos a eles ou a membros da trupe de idiotas que os acompanha, em frente aos monumentos. O caso mais grave são os cretinos que se põem a fazer macacadas em frente aos monumentos. São alturas em que são o melhor de si e mostram a sua veia artística mais apurada. Não há limites à sua imaginação. É como ir ao circo mas à borla…

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Para acabar o dia em beleza, comi um “croque monsieur“, que é como quem diz,a verdadeira “francesinha“, acompanhada por um copo de “côtes du rhône“, no café madeleine.  Este café é obviamente perto da igreja da Madelaine…

concerto-3.jpg

… onde acabei o dia a assistir ao Requiem de Mozart.

concerto-1.jpg

A igreja é lindíssima embora um pouco pirosa pois tem uma enorme pintura da coroação do Napoleão pelo papa Pio VII. Curiosamente esta igreja tem cadeiras em vez dos tradicionais bancos corridos. A princípio não percebi porquê. Assim que me sentei descobria resposta: Os bancos corridos não são suficientemente desconfortáveis e pode haver pessoas que ainda consigam adormecer neles. Nas cadeiras isso é impossível.  A meio do concerto comecei a descobrir quais eram os verdadeiros habitués daqueles eventos (que ocorrem com uma regularidade que não tem nada a ver com Lisboa). Os verdadeiros habitués dos concertos vinham prevenidos de casa com almofadas para aliviar as costas ou o nalguedo.

concerto-2.jpg

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